Trecho de ensaio publicado na Revista Amarello, 10.04.2022
(…) Eu fecho o jornal. Olho à pilha de livros na mesa. No topo, está Walden e, na abertura do texto, o indiciamento de Henry D. Thoreau à sua época, quando o “pobre homem civilizado” devia trabalhar metade da vida para comprar casa que pudesse chamar, legalmente, de sua. O homem selvagem vive em choupana modesta, mas pelo menos é sua choupana, sua propriedade – sem contrato de aluguel, fiador, reajustes conforme inflação. Progresso? As casas melhoraram, mas não os habitantes das casas, ainda aprisionados em “opiniões sobre si mesmos” e em práticas sociais irrefletidas. Thoreau cansou da sociedade, suas convenções, e foi viver no bosque. (…)